Uma tragédia sem fim
Terá fim, essa tragédia de Mariana? Difícil especular, tais os fatores humanos e ambientais soterrados sob a lama. Juntas, as barragens de Fundão e Santarém, naquele município mineiro, acumulavam 62 bilhões de água e rejeitos oriundos do beneficiamento do minério de ferro. Segundo a FSP, tal volume equivalia a um terço da represa Guarapiranga, em SP, ou dez vezes ao da lagoa Rodrigo de Freitas, no RJ.
 
A tragédia não vai parar com a contagem do último óbito. Até ontem eram seis, os mortos e chegava a 19, o número de desaparecidos, enquanto eram registrados, pelas autoridades de Mariana e do Estado, 637 desabrigados. Cada vida e cada lar, com suas perdas irreparáveis.
 
E, enquanto as mortes eram contadas e corpos apareciam no campo vasto, a tragédia ambiental se propagava em cada ninho destruído, em cada curso d´água contaminado e em cada peixe asfixiado que derivava pelos afluentes, na direção do rio Doce.  Hábitats naturais desapareceram e não há como recompô-los.
 
Mas, não há apenas as perdas humanas contabilizadas. Há as perdas materiais futuras. Uma vida, não é uma estatística. É um núcleo que vem de longe, em processo de transformação, na cadeia civilizatória. Alguma coisa que jamais poderia ser sepultada sob a lama de uma catástrofe que não poderia ter acontecido. A lama sepultou o futuro de crianças e pais de família, não apenas suas casas e objetos.
 
Difícil não acreditar que a tragédia de Mariana não poderia ter sido evitada. Dizer que evitá-la não seria possível é assumir uma incompetência humana absoluta. Basta analisar o volume de água e rejeito ali armazenado: 62 bilhões. As barragens comportariam volume dessa ordem?
 
Se, há cerca de dois anos, o Ministério Público de Minas tinha em mãos um laudo que apontava riscos de deslizamento de um talude, perto do reservatório, por que medidas preventivas não foram tomadas?  Uma empresa de mineração, com tantas obras de engenharia avançadas, não teria meios para monitorar eventuais recalques no fundo das barragens? E, considerando a contiguidade  da população, a empresa não possuía um plano de contingência para um alerta geral e adoção de medidas de socorro?
 
Houve falhas da empresa, falhas dos órgãos públicos e descaso para com a população, já radicada ali, com seus laços familiares, ao longo do tempo, e que deveria ali continuar, por todo o tempo. A tragédia de Mariana é uma tragédia sem fim.


quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Fonte: Nildo Carlos Oliveira
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